Absolutismo – Resumo, O que é, Características

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Absolutismo - Resumo, o que e, teorias, características

Você sabe a diferença entre a democracia e o absolutismo? Talvez você não conheça os conceitos teóricos dos dois sistemas, mas com certeza você sabe a diferença entre um presidente e um rei. Nesse resumo vamos explicar como surgiu o absolutismo, quem foram os principais reis e como foi o declínio do absolutismo.

Com a crise do feudalismo entre os séculos XIV e XVI, as demandas de uma parcela sociedade se voltaram para mudanças no cenário político e econômico. A nova classe social que surgia, a burguesia, aliada ao interesse dos reis que desejavam mais poder, iniciaram um movimento de transição entre o sistema Feudal e o capitalismo.

No feudalismo, o poder real e a nobreza viviam em constante oposição. De um lado o rei, que procurava expandir seus poderes, e de outro lado a nobreza, que os limitavam. Se antes, a nobreza possuía privilégios em relação ao estado e os reis governavam apenas por escolha e permissão da nobreza, com a crise feudal, os novos burgueses desejavam mais dinamismo comercial, pois viam a possibilidade de acumular cada vez mais bens e valores.

No século XVI, finalmente a nobreza se rendeu aos poderes dos monarcas, que com submissão do clero, iniciaram um novo sistema político adotado na maioria dos estados europeus, o absolutismo.

O que é absolutismo?

O absolutismo é referenciado como um sistema político ou um sistema de governo, no qual a autoridade e o poder absoluto está na figura do líder, o rei. O absolutismo é caracterizado pela ausência de limitações ao exercício do poder e não há regulação das decisões executivas e a instituição de leis.

O poder do rei era justificado pela divindade, e os monarcas utilizavam esse artifício para garantir sua soberania. O que se pensava era que sua autoridade vinha diretamente de deus, e por isso, seu poder seria absoluto, incontestável e hereditário, ou seja, os filhos dos reis também eram destinados à realeza. O rei tinha o direito divino de governar como quisesse, enquanto o papa detinha o poder espiritual.

Logo, as tendências absolutistas pendiam para deter também o poder religioso. Isso fez com que a igreja, que também tinha interesses ambiciosos e um sistema político próprio, se tornasse um rival em potencial contra o poder absoluto dos reis.

No entanto, a reforma protestante na Alemanha, no século XVI, enfraqueceu a influência da igreja. Esse movimento favoreceu para que o rei assumisse também o controle da vida espiritual de seus povos, sem o intermédio de Roma, e o melhor, sem a tradicional subordinação às questões da igreja.

As principais mudanças que marcaram o absolutismo foram a centralização do poder nas mãos do rei, a criação de um aparato burocrático para controlar o Estado, como uma unidade monetária a ser utilizada, uma unidade fiscal, para a cobrança de impostos, uma unidade jurídica, segundo a qual as leis do rei deveriam ser cumpridas, e uma unidade territorial, que compreendia toda a extensão de terras que deveriam seguir as ordens do rei.

Além das mudanças, manteve-se o privilégio da hereditariedade e a manutenção da organização social, com o rei no topo, abaixo dos reis, os burgueses, na última instância, o restante da população. A igreja, que antes possuía um status que pudesse ser equiparado ao da realeza, perdeu todo o prestígio. Houve também a formação das cortes, a criação de exércitos nacionais e o fortalecimento da economia mercantilista.

Toda essa estrutura absolutista era fortemente amparada por ideologias, iniciadas pelo monarca e defendidas amplamente por grandes teóricos, como Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes.

Onde ocorreu o Absolutismo?

Os estudiosos concordam que o auge do absolutismo aconteceu na França, no século XVII, com o mais famoso rei absolutista, Luís XIV. No entanto, em outros países e até mesmo na França antes de Luís XIV, os reis faziam uma espécie de ensaio para o absolutismo, diminuindo cada vez mais o poder dos outros líderes estatais.

Em Portugal, o regime absolutista não chegou a ser adotado, pois os reis tinham seus poderes limitados pelas cortes e outros órgãos. É claro que com toda a movimentação na Europa, a tendência era de direcionar o poder cada vez mais para as mãos do rei português, mas esse processo foi longo, e nunca chegou a se concretizar com o poder absoluto.

Na Espanha, ainda no século XV, o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão deu origem a uma unificação política, que culminou na adoção do absolutismo. Após uma derrota vergonhosa em um ataque contra a Inglaterra no fim do século XVI, ordenado pelo rei espanhol Filipe II, o poder internacional que a Espanha havia adquirido se perde, e seu império entra em declínio. Mas mesmo assim, o sistema absolutista se manteve.

Ana Bolena e Henrique VIII - Absolutismo
Ana Bolena e Henrique VIII

A Inglaterra foi o país que teve mais problemas com os seus reis. O absolutismo teve origem com o rei Henrique VIII, e com uma história muito peculiar. O rei Henrique VIII se casou com a princesa da Espanha, Catarina de Aragão. Apesar de casado, Henrique tinha fama de possuir muitas amantes.

A rainha não se importava, mas sabia que tinha obrigação de ter filhos homens, que pudessem suceder o pai ao trono. No entanto, seus filhos que nasceram vivos morreram após poucas semanas, e outros eram natimortos. Apenas uma menina nasceu sadia, e recebeu o nome de Maria.

A condição da rainha deixava Henrique impaciente, e na esperança de deixar um sucessor, ele considerou a opção de aceitar um filho ilegítimo (fora do casamento) ou se divorciar de Catarina, o que era considerado inaceitável para a igreja Católica. Com a negativa do papa em anular seu casamento, Henrique rompeu com a igreja Católica e fundou a Igreja Anglicana, tendo assim, poder absoluto sobre todas as questões, políticas, econômicas e religiosas, da Inglaterra.

Henrique se casou com Ana Bolena antes de anular o casamento com Catarina, mas com o domínio sobre a Igreja Anglicana, seu casamento com Ana foi validado, e com Catarina foi anulado. Ana Bolena tinha gênio forte, e teve apenas uma filha. Insatisfeito com a postura da nova esposa, o rei tentava descobrir uma nova maneira de anular novamente seu casamento, sem precisar voltar para Catarina.

Seus argumentos eram que ele não poderia ter se casado com Ana, sem antes ter seu casamento com Catarina anulado, e por isso, o casamento com Ana nunca teria sido válido (mesmo após pedir a validação aos membros de sua igreja).

Após abortar um menino, logo após receber a notícia de que Catarina teria morrido, Ana já sabia que não duraria muito tempo como esposa do rei. Não se sabe se houve conspiração, ou se de fato Ana traiu o rei, mas ela foi acusada de ter relações sexuais com o próprio irmão. Ela foi condenada por adultério e incesto, e executada dois dias após o irmão, em 19 de maio de 1536. Essa história foi contada no filme “A outra”, que faz clara referência ao tipo de governo de Henrique.

No dia seguinte, Henrique já estava noivo de uma das damas de companhia da rainha, e o casamento foi realizado dez dias depois. Joana de Seymour, a nova esposa do rei, deu a luz ao príncipe Eduardo, sucessor legítimo do trono. Ela morreu logo depois, por complicações no parto, e não demorou até Henrique procurar uma nova esposa.

Depois de Joana, Henrique se casou com Ana de Cleves, casamento que foi também anulado, e com Catarina Howard, decapitada por traição. A última esposa do rei foi Catarina Parr. O período de governo do rei Henrique VIII é uma grande exemplo de poder absolutista. As vontades do rei, mesmo que fosse pessoais e nada tivessem a ver com interesses do povo, deveriam ser seguidas sem contestação.

Declínio do Absolutismo

Napoleão - Absolutismo
Napoleão Bonaparte – O mais famoso rei da França.

Os regimes absolutistas foram muito questionados. O povo frequentemente passava fome, enquanto o rei esbanjava com grandes festas, roupas elegantes e muitas mulheres. Os altos impostos e a indiferença com que o povo era tratado provocou muitas insatisfações, e deram origem a movimentos revolucionários liberais em toda a Europa.

Na França, o regime feudal foi abolido definitivamente em agosto de 1789, com a Revolução Francesa. O país passava por uma crise econômica severa, devido aos exageros da corte e do clero. A revolução deu origem a uma constituição, mas o país ainda permanecia sob o controle do rei. A república foi proclamada na França em 1792, mas durou apenas 12 anos, até Napoleão Bonaparte subir ao poder e declarar o Império.

Com a queda de Napoleão, chegou o fim do absolutismo e o regime monárquico voltou à França. Diante de novas revoluções e insatisfações do povo, uma nova república foi proclamada em 1848, e a partir de então, o país passou por uma série de impérios e novas repúblicas.

Essa movimentação revolucionária incentivou outras populações, que estavam insatisfeitas com o governo absoluto dos reis. Com isso, o absolutismo foi se dissolvendo paulatinamente nos países da Europa.

Você sabia?

Rei da Arábia Saudita - Absolutismo
O rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz al-Saud

Mesmo após tantos anos, ainda hoje existem países que vivem sob o poder absoluto dos monarcas. Esses países são a Arábia Saudita, Brunei, Catar, Omã, Suazilândia e a Cidade do Vaticano.

Sim! A Cidade do Vaticano tem um regime político absolutista, pois o Papa, a figura de maior autoridade, detém o poder executivo, legislativo e judicial. Por ser considerado a voz de deus na terra, o Papa não presta contas a ninguém, e não há nenhum orgão fiscalizador de suas ações.

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